Como aprendo a perdoar? (Quando não tenho vontade)

Quick Answer

Aprende-se a perdoar tratando-o como uma decisão da vontade, não um sentimento pelo qual se espera. A palavra "perdoar" na Bíblia significa soltar. Quando Pedro perguntou a Jesus quantas vezes deveria perdoar, Jesus disse setenta vezes sete — repetidamente. Você escolhe libertar a pessoa, mesmo antes que os sentimentos venham. E aqui está a parte libertadora: os sentimentos geralmente seguem a decisão.

Eu estava abastecendo o carro uma tarde quando vi algo em que ainda não consigo acreditar. Um homem se aproximou com um Doberman gigante na coleira, prendeu o cachorro a um pesado banco de parque cimentado no chão e entrou na loja. Então algo assustou o cachorro. Ele disparou em direção ao trânsito — e puxou com tanta força que arrancou o banco do concreto.

Eu vi aquele Doberman arrastar um banco de parque para um cruzamento movimentado, faíscas voando da calçada, ziguezagueando pelo trânsito e batendo em carros. Ele destruiu três veículos antes que tudo acabasse. Buzinas tocando, pneus cantando, caos absoluto — tudo porque um cachorro estava preso a algo que não conseguia se livrar.

Tenho pensado muito naquele cachorro desde então, porque acho que muitos de nós estamos vivendo exatamente assim. Estamos presos a algo de que não conseguimos nos livrar, arrastando-o para onde quer que vamos, causando danos a tudo o que encontramos. A coisa a que estamos presos é a falta de perdão. E naquele banco de parque atrás de nós, há uma pessoa — um pai, um ex, um treinador, alguém que nos machucou — que não conseguimos parar de arrastar.

A Falta de Perdão Coloca Sua Vida nas Mãos de Outra Pessoa

Aqui está o que tive que aprender da maneira mais difícil. Quando permaneço preso à falta de perdão, acho que estou punindo a outra pessoa. Não estou. Estou entregando a coleira a eles.

Quando você se recusa a perdoar alguém, você dá a essa pessoa controle sobre suas emoções, sua paz, sua alegria — muitas vezes alguém que te machucou anos atrás e pode nem se lembrar de ter feito isso. Algumas das pessoas no seu banco de parque já se desligaram completamente. Elas seguiram em frente. Alguns deles até já morreram. E você ainda os está arrastando, ainda sangrando por isso, enquanto eles não sentem absolutamente nada.

Sou um cara competitivo. Meu instinto natural é: "Você me machucou? Ótimo. Vou esperar e vou fazer você pagar." Mas todas as vezes que fiz isso — todas as vezes que permaneci preso esperando meu momento — a pessoa não se importou, não notou, não perdeu o sono. A única pessoa que puni fui eu. O ressentimento é uma dívida que você continua pagando por um empréstimo do qual a outra pessoa já se afastou.

O Perdão É Mais Para Você Do Que Para Eles

Quando Pedro perguntou a Jesus sobre o perdão, ele fez uma suposição que a maioria de nós faz: que o perdão é principalmente para a pessoa que te ofendeu. Jesus inverteu completamente a situação. O perdão — e lidar com a falta de perdão — acaba sendo mais para a pessoa que foi ofendida do que para quem ofendeu.

Isso é uma reformulação total. Pensamos no perdão como algo que generosamente concedemos à parte culpada, como se estivéssemos fazendo um favor a eles. Mas a liberdade que vem de libertar alguém retorna para nós. A Bíblia, na verdade, lista os benefícios, e eles não são apenas espirituais:

  • Emocional. Jó 5:2 diz que o ressentimento mata o tolo. A palavra "ressentimento" significa literalmente "sentir de novo" — reproduzir a ofensa repetidamente. Liberte-o, e você para a repetição.
  • Relacional. Efésios 4:32 diz para serdes bondosos e compassivos, perdoando-vos uns aos outros, assim como Cristo vos perdoou.
  • Físico. Um coração em paz, diz Provérbios 14:30, dá vida ao corpo. Há até pesquisas que ligam a falta de perdão a sintomas físicos — o peso que você carrega não é apenas emocional.
  • Espiritual. Romanos 12:19 diz para não se vingar; deixe lugar para Deus. Ele é um juiz melhor do que você, e acertar as contas nunca foi sua função para começar.

A Dívida de 10 Milhões de Dólares — e a de 11 Dólares

Jesus contou uma história para ilustrar isso. Um rei estava revisando suas contas e encontrou um servo que lhe devia dez milhões de dólares. Ele chamou o homem e exigiu o pagamento. O servo não pôde pagar — e naquela época, isso significava que você e toda a sua família poderiam ser entregues aos torturadores. Mas o rei olhou para ele e fez o impensável: cancelou a dívida. Todos os dez milhões. Perdoados.

Agora, coloque-se no lugar daquele homem. Se alguém apagasse uma dívida de dez milhões de dólares que pairava sobre sua cabeça, você faria uma festa. Você contaria a todos. Você nunca deixaria de ser grato.

Mas não foi isso que o homem fez. Ele saiu direto e encontrou um sujeito que devia a ele onze dólares — o agarrou pelo pescoço e o mandou para a prisão por causa disso. Ele havia experimentado o perdão, mas nunca realmente o viveu . Ficou na cabeça dele; nunca chegou ao coração. E quando o rei soube, entregou o homem aos carcereiros. Então Jesus disse a frase que você nunca verá em uma caneca de café: "Assim também fará meu Pai celestial a cada um de vocês, se não perdoarem de coração o seu irmão."

Aqui está o ponto que não posso evitar: eu sou o homem dos dez milhões de dólares. Você também é. Fomos perdoados de uma dívida com Deus que nunca poderíamos pagar. As ofensas de onze dólares cometidas contra nós são reais — mas são onze dólares perto de dez milhões. O perdão começa com a lembrança de quanto eu fui perdoado.

O Perdão É Uma Decisão, Não Um Sentimento

Esta é a parte que me libertou. Vivemos em uma cultura obcecada por sentimentos. "Eu os perdoarei quando eu me sentir pronto. Quando minhas emoções estiverem alinhadas. Quando eu tiver um bom dia." Se você esperar por isso, esperará para sempre.

Você acha que Jesus sentiu vontade de ir para a cruz? E se Ele tivesse ficado no jardim dizendo: "Ainda não sinto vontade"? Ele não foi por causa de um sentimento. Ele foi porque submeteu Sua vontade ao Pai. O perdão funciona da mesma forma. É sobre a vontade, não os sentimentos — e aqui está a promessa que muda tudo: quando você toma a decisão, os sentimentos acabam por seguir.

A palavra "perdoar" na língua original significa liberar. Não sentir carinho pela pessoa. Não fingir que não aconteceu. Apenas liberar — soltar a coleira. E para alguns de nós, com algumas feridas, isso significa liberar a mesma pessoa a cada minuto, a cada hora, a cada dia por um tempo, até que um dia você perceba que o aperto afrouxou. Isso não é fracasso. É assim que funciona. Você libera, e libera, e libera, e os sentimentos se ajustam.

Guia Prático: Como Perdoar na Prática

Então, como você faz isso? Aqui está como funciona na prática.

  1. Dê nome a quem você está carregando. Seja honesto. Quem você está arrastando? Um pai, um ex, um antigo amigo, um treinador, alguém que se aproveitou de você? Você não pode liberar alguém que não nomeia. Sua consciência se incomoda quando uma certa pessoa vem à mente? É essa a pessoa.
  2. Pregue o evangelho a si mesmo primeiro. Antes de liberá-los, lembre-se do que você foi liberado. Jesus pagou sua dívida de dez milhões de dólares antes mesmo de você cometer os pecados. Comece cada dia a partir daí. O perdão flui deser perdoado — você não pode dar o que não recebeu.
  3. Decida com sua vontade — não espere sentir. Diga em voz alta se for preciso: "Eu libero esta pessoa." Você não está mentindo sobre seus sentimentos; você os está guiando. A decisão vem primeiro. A emoção segue, às vezes muito depois. Ambos contam.
  4. Se você é quem causou a dívida, peça corretamente. A maioria de nós não sabe como pedir desculpas de verdade. "Desculpe, minhas emoções me dominaram" não é um pedido de desculpas. "Se você entendeu mal" também não é. Aqui estão as únicas palavras que funcionam: "Eu estava errado(a). Você me perdoa?" Cinco palavras difíceis, sem desculpas. Experimente-as com a pessoa que você tem evitado.
  5. Repita conforme necessário — setenta vezes sete. Quando Pedro perguntou se perdoar sete vezes era suficiente, Jesus disse setenta vezes sete. Isso não é um número para contar; é um modo de vida. Algumas ofensas você terá que liberar novamente toda vez que a memória ressurgir. Continue liberando. Isso não é fraqueza. Isso é liberdade em progresso.

Deixei você curioso sobre o Doberman. Foi assim que terminou. O dono saiu correndo da loja, perseguindo o cão, chamando-o pelo nome. E o cão parou. O homem o alcançou, o desenganchou daquele banco de parque maltratado e o levou para um lugar seguro.

Essa é a imagem. Quando se trata do seu rancor, o seu Mestre está a persegui-lo. Ele está a chamá-lo pelo nome. Se você parar, se virar e o deixar, Ele o libertará daquilo que você tem arrastado por anos — e o levará para um lugar melhor.

O perdão é antinatural. Tudo em você resiste a ele. Mas quando você finalmente o faz — quando você solta a coleira — é inacreditável. Quem está no seu banco de parque? É hora de os deixar ir.

Frequently Asked Questions

O que a Bíblia diz sobre como perdoar?

A Bíblia trata o perdão como uma decisão da vontade, não um sentimento pelo qual se espera. A palavra "perdoar" na língua original significa "liberar". Em Mateus 18, quando Pedro perguntou quantas vezes deveria perdoar, Jesus respondeu setenta vezes sete — significando repetidamente, como um estilo de vida. Você escolhe liberar a pessoa mesmo antes que suas emoções concordem, e a Escritura promete que os sentimentos tendem a seguir a decisão.

Como perdoar alguém quando não se tem vontade?

O perdão acontece por decisão, não por esperar sentir-se pronto. Jesus não foi para a cruz porque sentia vontade — Ele submeteu Sua vontade ao Pai. O perdão funciona da mesma forma: você faz a escolha de liberar a pessoa, em voz alta se precisar, e os sentimentos se ajustam depois. Para feridas profundas, talvez você precise liberar a mesma pessoa repetidamente, às vezes diariamente. Isso não é fracasso — é assim que o perdão realmente funciona.

Por que devo perdoar alguém que me magoou?

Porque a falta de perdão dá à outra pessoa o controle sobre a sua vida. Quando você permanece preso ao ressentimento, continua pagando uma dívida da qual a outra pessoa muitas vezes se desvencilhou há anos. As Escrituras listam benefícios reais em perdoá-los — emocionais, relacionais, físicos e espirituais. E há uma razão mais profunda: Deus perdoou uma dívida que você jamais poderia pagar, então recusar-se a perdoar uma ofensa menor de outra pessoa é não reconhecer a imensa misericórdia que você já recebeu.

Como pedir perdão a alguém de forma adequada?

A maioria de nós pede desculpas de forma errada. "Desculpe se você interpretou assim" ou "Desculpe, minhas emoções me dominaram" não são desculpas verdadeiras — elas transferem a culpa. As palavras que realmente funcionam são simples e difíceis: "Eu estava errado. Você me perdoa?" Sem desculpas, sem ressalvas, sem condições. Assumir sua parte de forma clara, sem atenuar, é o que abre a porta para uma verdadeira reconciliação.

Related Sermon

This blog post is based on the sermon delivered by Ed Young. Want to learn more? Watch the related sermon.

View Related Content